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Reflexões do companheiro Fidel: A FAÇANHA DE GUADALAJARA

Faço um breve intervalo em minhas análises políticas para dedicar este espaço à façanha dos atletas cubanos nos Décimo-sextos Jogos Esportivos Pan-americanos.

Os Jogos Olímpicos e as competições esportivas internacionais que giram em torno a eles, e despertam tanto interesse em milhares de milhões de pessoas, têm uma bela história que não por ultrajada deveria deixar de ser recordada.

A contribuição do criador dos Jogos Olímpicos foi especialmente nítida, ainda mais que a de Nobel, quem numa etapa de sua vida, procurando criar um meio mais eficaz de produção, produziu o explosivo com cujos frutos econômicos os designados para cumprirem sua vontade em prol da paz o mesmo premiam um cientista ou escritor brilhante, do que o chefe dum império que ordena o assassinato de um adversário na presença de sua família, o bombardeamento duma tribo no centro da Ásia ou de um pequeno país independente do norte da África, e o extermínio de seus órgãos de comando.

O Barão Pierre de Coubertin foi o criador dos Jogos Olímpicos modernos; de origem aristocrática, nascido na França, país capitalista onde um camponês, um operário, ou um artesão, não tinham naquela sociedade possibilidade alguma de empreender essa tarefa.

Desatendendo a vontade de sua família, que desejava fazer dele um oficial do exército, rompeu com a Academia Militar e se consagrou à pedagogia. De certa forma sua vida lembra a de Darwin, descobridor das leis da Evolução Natural. Coubertin se converte em discípulo de um pastor anglicano, funda a primeira revista dedicada ao esporte e consegue que o governo francês a inclua na Exposição Universal de 1889.

Começa a sonhar com reunir em uma competição esportistas de todos os países sob o princípio da união e da irmandade, sem fins lucrativos e só impulsionados pela vontade de atingir a glória.

Suas idéias inicialmente não foram bem compreendidas mas persistiu, viajou pelo mundo falando de paz e de união entre os povos e os seres humanos.

Finalmente, o Congresso Internacional de Educação Física, celebrado em Paris em junho de 1894, criou os Jogos Olímpicos.

A idéia encontrou resistência e incompreensão na Inglaterra, a principal potência colonial; o boicote da Alemanha, poderoso império rival; e inclusive a oposição de Atenas, cidade escolhida para a primeira Olimpíada.

Pierre de Coubertin conseguiu comprometer imperadores, reis e governos da Europa com seus esforços incansáveis e seu talento diplomático.

O principal foi, a meu ver, a profundeza e a nobreza de suas idéias que ganharam o apoio dos povos do mundo.

Em 24 de março de 1896, o Rei da Grécia, por primeira vez, declarou abertos os Primeiros Jogos Olímpicos Internacionais de Atenas, há 115 anos.

Duas destruidoras e demolidoras guerras têm transcorrido desde então, originadas ambas na Europa, as que custaram ao mundo dezenas de milhões de pessoas mortas nos combates, e aos quais se adicionaram os civis mortos nos bombardeamentos ou pela fome e as doenças que vieram depois. A paz não está garantida. O que se sabe é que, numa nova guerra mundial, as armas modernas poderiam destruir várias vezes a humanidade.

É à luz destas realidades que tanto admiro a conduta de nossos esportistas.

O mais importante do movimento olímpico é a conceição do esporte como instrumento de educação, saúde e amizade entre os povos; um antídoto real a vícios como as drogas, o consumo de tabacos, o abuso de bebidas alcoólicas, e os atos de violência que tanto afetam a sociedade humana.

Pela mente do fundador do olimpismo não passava o esporte tarifado nem o mercado de atletas. Esse foi também o nobre objetivo da Revolução cubana, o qual implicava o dever de promover tanto o esporte como a saúde, a educação, a ciência, a cultura e a arte, que foram sempre princípios irrenunciáveis da Revolução.

Mas não só isso, nosso país promoveu a prática esportiva e a formação de treinadores nos países do Terceiro Mundo que lutavam por seu desenvolvimento. Uma Escola Internacional de Educação Física e Esportes funciona em nossa Pátria há já muitos anos, e nela se formaram numerosos treinadores que desempenham com eficiência suas funções em países que às vezes competem em importantes esportes com nossos próprios atletas.

Milhares de especialistas cubanos têm prestado seus serviços como treinadores e técnicos esportivos em muitos países do chamado Terceiro Mundo.

É no âmbito desses princípios aplicados durante dezenas de anos que nosso povo se sente orgulhoso das medalhas que obtêm seus atletas nas competições internacionais.

As transnacionais do esporte tarifado têm deixado bem atrás os sonhos do criador do olimpismo.

Valendo-se do prestígio criado pelas competições esportivas, excelentes atletas, a majoria deles nascidos em países pobres da África e da América Latina, são comprados e vendidos no mercado internacional por aquelas empresas, e só em contadas ocasiões se lhes permite jogar nas equipas de seu próprio país, onde foram promovidos como atletas prestigiosos por seus esforços pessoais e sua própria qualidade.

Nosso povo, austero e sacrificado, tem tido que se encarar às pancadas com garra desses camelôs do esporte rentável que oferecem fabulosas somas a nossos atletas, e em ocasiões privam o povo de sua presença com esses grosseiros atos de pirataria.

Como aficionado ao esporte muitas vezes falei com os mais destacados, e por isso nesta ocasião me comprazia muito ver através da televisão os sucessos esportivos da nossa delegação e seu regresso vitorioso à Pátria, procedente de Guadalajara, onde os Estados Unidos, apesar de possuir aproximadamente 27 vezes mais habitantes do que Cuba, só pôde obter 1,58 vezes mais títulos e as correspondentes medalhas de ouro que Cuba, que atingiu 58.

O Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, obteve 48.

O México, com mais de 100, obteve 42.

O Canadá, um país rico e desenvolvido, com 34 milhões de habitantes, obteve só 29.

O número total de medalhas de ouro, prata e bronze alcançadas por Cuba, foi proporcional ao número de títulos mencionados.

Não poucos dos nossos jovens atletas conseguiram sucessos verdadeiramente surpreendentes.

Apesar das vitórias, que orgulham nosso povo, temos o dever de continuar superando-nos.
Fidel Castro Ruz
30 de outubro de 2011
22h11

Fonte: Cubadebate

Reflexões do companheiro Fidel: O papel genocida da NATO (partes III e IV)

Parte III
No dia 23 de fevereriro, sob o título “Dança macabra de cinismo” expus:

“A política de pilhagem imposta pelos Estados Unidos e seus aliados da NATO no Oriente Médio entrou em crise.”

“Graças à traição de Mubarak em Camp David o Estado árabe palestino não conseguiu existir, apesar dos acordos da ONU de novembro de 1947, e Israel se tornou em uma forte potência nuclear aliada aos Estados Unidos e à NATO.

“O Complexo Militar Industrial dos Estados Unidos forneceu dezenas de milhares de milhões de dólares cada ano a Israel e aos próprios estados árabes por ele submetidos e humilhados.

“O gênio saiu da lamparina e a NATO não sabe como controlá-lo.

“Vão tentar tirar o máximo proveito aos lamentáveis acontecimentos na Líbia. Niguém seria capaz de saber neste momento o que ali está ocorrendo. Todas as cifras e versões, até as mais inverossímeis, têm sido divulgadas pelo império através da mídia, plantando o caos e a desinformação.

“Resulta evidente que dentro da Líbia se desenvolve uma guerra civil. Por que e como ela se desatou? Quem pagarão as conseqüências? A agência Reuters, fazendo-se eco do critério de um conhecido banco do Japão, o Nomura, expressou que o preço do petróleo poderia ultrapassar qualquer limite:

“… Quais seriam as conseqüências no meio da crise alimentar?

“As principais lideranças da NATO estão exaltadas. O Primeiro-ministro britânico, David Cameron, informou ANSA, ‘…admitiu em um discurso no Kuwait que os países ocidentais se enganaram ao apoiar governos não democráticos no mundo árabe.’”

“Seu colega francês Nicolás Sarkozy declarou: ‘A prolongada repressão brutal e sangrenta da população civil líbia é nojenta’”.

“O chanceler italiano Franco Frattini declarou ‘crível’ a cifra de mil mortos em Trípoli […] ‘a cifra trágica será um banho de sangue’.”

“Hillary Clinton declarou: “…o ‘banho de sangue’ é ‘completamente inaceitável’ e ‘tem que parar’…”

Ban Ki-moon falou: “‘É absolutamente inaceitável o uso da violência que existe no país’.”
“…‘o Conselho de Segurança agirá de acordo com o que decida a comunidade internacional’.”

“‘Estamos considerando uma série de opções’.”

“O que Ban Ki-moon espera realmente é que Obama diga a última palavra.

“O Presidente dos Estados Unidos falou nesta quarta-feira à tarde e expressou que a Secretaria de Estado viajaria à Europa visando combinar com seus aliados da NATO as medidas a serem tomadas. Em sua face se constatava a oportunidade de lidar com o senador da extrema-direita dos republicanos, John McCain; o senador pró-israelita de Connecticut, Joseph Lieberman e os líderes do Tea Party, para garantir sua candidatura pelo partido democrata.

“A mídia do império tem preparado o terreno para agir. Nada teria de estranho a intervenção militar na Líbia, com o qual, também, garantiria à Europa os quase dois milhões de barris diários de petróleo ligeiro, se antes não ocorrerem acontecimentos que ponham fim à chefia ou à vida de Gaddafi.

“De qualquer forma, o papel de Obama é bastante complicado. Qual será a reação do mundo árabe e muçulmano se o sangue nesse país for derramado em abundância com essa aventura? Uma intervenção da NATO na Líbia conseguirá parar a onda revolucionária desatada no Egipto?

“No Iraque foi derramado o sangue inocente de mais de um milhão de cidadãos árabes, quando o país foi invadido com falsos pretextos.

“Niguém no mundo estará nunca de acordo com a morte de civis indefesos na Líbia ou qualquer outra parte. E me pergunto: aplicarão os Estados Unidos e a NATO esse princípio aos civis indefesos que os aviões sem piloto ianques e os soldados dessa organização matam todos os dias no Afeganistão e no Paquistão?

“É uma dança macabra de cinismo.”

Enquanto meditava sobre estes fatos, nas Nações Unidas se abriu o debate previsto para ontem, terça-feira, 25 de outubro, em torno à “Necessidade de pôr fim ao bloqueio comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”, algo que vem sendo exposto pela imensa maioria dos países membros dessa instituição, ao longo de 20 anos.

Desta vez os inúmeros raciocínios elementares e justos — que para os governos dos Estados Unidos eram senão meros exercícios retóricos — tornaram evidente, como nunca antes, a fraqueza política e moral do império mais poderoso que jamais tenha existido, a cujos interesses oligárquicos e insaciável sede de poder e riquezas têm sido submetidos todos os habitantes do planeta, incluído o próprio povo desse país.


Os Estados Unidos tiranizam e saqueiam o mundo globalizado com seu poderio político, econômico, tecnológico e militar.

Essa verdade torna-se cada vez mais óbvia após os debates honestos e valentes que tiveram lugar nos últimos 20 anos nas Nações Unidas, com o apoio dos estados que supostamente expressam a vontade da imensa maioria dos habitantes do planeta.

Antes da intervenção de Bruno, numerosas organizações de vários países expressaram seus pontos de vista através de um de seus membros. O primeiro deles foi a Argentina em nome do Grupo dos 77 mais a China; a seguir o Egipto, em nome dos NOAL; Quênia, em nome da União Africana; Belize, em nome da CARICOM; Cazaquistão, em nome da Organização da Cooperação Islâmica; e o Uruguai, em nome do MERCOSUL.

Independentemente destas expressões de caráter coletivo, a China, país de crescente peso político e econômico no mundo, a Índia e a Indonésia apoiaram firmemente a resolução através de seus embaixadores; entre os três representam 2,7 bilhões de habitantes. Também o fizeram os embaixadores da Federação Russa, Bielorrúsia, África do Sul, Árgelia, Venezuela e o México. Dentre os países mais pobres do Caribe e da América Latina, vibraram as palavras solidárias da embaixadora de Belize, que falou em nome da comunidade do Caribe, do representante de São Vicente e as Granadinas que o fez em nome do seu país e o da Bolíva, cujos argumentos relacionados com a solidariedade de nosso povo, apesar de um bloqueio que dura já 50 anos, será um estímulo imperecedouro para nossos médicos, educadores e cientistas.

A Nicarágua falou antes da votação, para explicar com valentia por que votaria contra aquela pérfida medida.

Anteriormente também o tinha feito o representante dos Estados Unidos para explicar o inexplicável. Senti pena por ele. É o papel que lhe deram.

Quando chegou a hora da votação, dois países se ausentaram: Líbia e Suécia; três se abstiveram: Ilhas Marshall, Micronéisa e Palau; dois votaram contra: Estados Unidos e Israel. Somados todos os que votaram contra, se abstiveram, ou se ausentaram: Os Estados Unidos, com 313 milhões de habitantes; Israel, com 7,4 milhões; Suécia, com 9,1 milhões; Líbia, com 6,5 milhões;  Ilhas Marshall, com 67,1 mil; Micronésia, 106,8 mil; Palau, com 20,9 mil, somam 336 milhões 948 mil, equivalente a 4.8% da população mundial, que neste mês já atinge os 7 bilhões.

Depois da votação, para explicar seus votos, falou a Polônia em nome da União Européia que, apesar de sua estreita aliança com os Estados Unidos e sua obrigada participação no bloqueio, é contrária a essa medida criminosa.

Depois, 17 países fizeram uso da palavra, para explicar com firmeza e decisão por que votaram a resolução contra o bloqueio.

Continuará na sexta-feira, 28.

Fidel Castro Ruz
26 de outubro de 2011
21h45

Parte IV
No dia dois de março, sob o título “A guerra inevitável da NATO” escrevi:

“Diferentemente do que acontece no Egipto e Tunísia, a Líbia ocupa o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da África e tem a mais alta esperança de vida do Continente. A educação e a saúde recebem especial atenção do Estado. O nível cultural de sua população é muito alto, sem dúvidas. Seus problemas são de outro caráter. [...] O país requeria abundante força de trabalho estrangeira para levar a cabo ambiciosos planos de produção e desenvolvimento social.”

“Dispunha de enormes receitas e reservas em divisas convertíveis depositadas nos bancos dos países ricos, com as quais adquiriam bens de consumo e inclusive, armas sofisticadas que precisamente lhe forneciam os mesmos países que hoje querem invadi-la em nome dos direitos humanos.

“A colossal campanha de mentiras, desatada pelos meios maciços de informação, originou uma grande confusão na opinião pública mundial. Passará tempo antes que possa ser reconstruído o que realmente tem acontecido na Líbia, e separar os fatos reais dos falsos que foram divulgados.”

“O império e seus principais aliados empregaram os meios mais sofisticados para divulgar informações deformadas sobre os acontecimentos, entre as quais era preciso inferir os vestígios da verdade.”

“O imperialismo e a NATO ─ seriamente preocupados pela onda revolucionária desatada no mundo árabe, onde é gerada grande parte do petróleo que sustenta a economia de consumo dos países desenvolvidos e ricos ─ não podiam deixar de aproveitar o conflito interno surgido na Líbia para promover a intervenção militar.”

“Apesar do dilúvio de mentiras e da confusão criada, os Estados Unidos não conseguiram arrastar China e a Federação Russa à aprovação pelo Conselho de Segurança de uma intervenção militar na Líbia, embora conseguisse obter em câmbio, no Conselho de Direitos Humanos, a aprovação dos objetivos que procurava nesse momento.”

“O fato real é que a Líbia já está envolvida numa guerra civil, como tínhamos previsto, e nada puderam fazer as Nações Unidas para evitá-lo, salvo que seu próprio Secretário-geral espalhasse uma boa dose de combustível no fogo.

“O problema que talvez não imaginavam os atores é que os próprios líderes da rebelião irrompessem no complicado tema declarando que rejeitavam toda intervenção militar estrangeira.”

Um dos cabecilhas da rebelião, Abdelhafiz Ghoga, no dia 28 de fevereiro, num encontro com os jornalistas, declarou: “O que queremos são informações de inteligência, mas em caso nenhum que seja afetada nossa soberania aérea, terrestre ou marítima.”

“A intransigência dos responsáveis da oposição sobre a soberania nacional refletia a opinião manifestada em forma espontânea por muitos cidadãos líbios à imprensa internacional em Bengasi”, informou um despacho da agência AFP na passada segunda-feira.

“Nesse mesmo dia, uma professora de Ciências Políticas da Universidade de Bengasi, Abeir Imneina, — adversária de Gaddafi —  declarou:

“Existe um sentimento nacional muito forte na Líbia.”

“‘Além disso, o exemplo do Iraque mete medo no conjunto do mundo árabe’, sublinhou, em referência à invasão norte-americana de 2003 que devia levar a democracia a esse país e depois, por contágio, ao conjunto da região, uma hipótese totalmente desmentida pelos fatos.”

“‘Sabemos o que se passou no Iraque; é que se encontra em plena instabilidade, e verdadeiramente não desejamos seguir o mesmo caminho. Não queremos que os norte-americanos venham para ter que terminar lamentando a Gaddafi’, continuou esta perita.”

Às poucas horas de ser publicada esta notícia, dois dos principais órgãos de imprensa dos Estados Unidos, ‘The New York Times’ e ‘The Washington Post’, apressuraram-se em oferecer novas versões sobre o tema, do qual informa a agência DPA no dia seguinte, 1 de março: ‘A oposição líbia poderia solicitar que Ocidente bombardeie desde o ar posições estratégicas das forças fiéis ao presidente Muamar Al Gaddafi, informa hoje a imprensa estadunidense’.”

“O tema está sendo discutido dentro do Conselho Revolucionário líbio, precisam ‘The New York Times’ e ‘The Washington Post’ em suas versões on-line.”

“No caso de que as ações aéreas sejam feitas ao abrigo das Nações Unidas, elas não implicariam uma intervenção internacional, explicou o porta-voz do conselho, citado por ‘The New York Times’.”

“‘The Washington Post’ citou rebeldes reconhecendo que, sem o apoio de Ocidente, os combates com as forças leais a Gaddafi poderiam durar muito e custar grande quantidade de vidas humanas.”

Imediatamente me perguntei nessa Reflexão:

“Por que o empenho em apresentar os rebeldes como membros proeminentes da sociedade reclamando bombardeios dos Estados Unidos e da NATO para matar líbios?”

Algum dia será conhecida a verdade, através de pessoas como a professora de Ciências Políticas da Universidade de Bengasi, que com tanta eloqüência narra a terrível experiência que matou, destruiu os lares, deixou sem emprego ou fez emigrar milhões de pessoas no Iraque.

Hoje, quarta-feira 2 de março, a Agência EFE apresenta o conhecido porta-voz rebelde fazendo declarações que, a meu ver, afirmam e ao mesmo tempo contradizem as da segunda-feira: ‘Bengasi (Líbia), 2 de março. A direção rebelde líbia pediu hoje ao Conselho de Segurança da ONU que lance um ataque aéreo ‘contra os mercenários’ do regime de Muamar Al Gaddafi.”

“A qual das muitas guerras imperialistas se pareceria esta?

“À da Espanha em 1936, à de Mussolini contra a Etiópia em 1935, à de George W. Bush contra o Iraque no ano 2003 ou a qualquer uma das dezenas de guerras promovidas pelos Estados Unidos contra os povos da América, desde a invasão do México em 1846, até à das Malvinas em 1982?

“Sem excluir, é claro, a invasão mercenária de Girón, a guerra suja e o bloqueio a nossa Pátria ao longo de 50 anos, que se cumprirão no próximo 16 de abril.

“Em todas essas guerras, como a do Vietnã que custou milhões de vidas, imperaram as justificações e as medidas mais cínicas.

“Para os que alberguem alguma dúvida sobre a inevitável intervenção militar que se produzirá na Líbia, a agência de notícias AP, a qual considero bem informada, encabeçou uma notícia publicada hoje, em que se afirma: ‘Os países da Organização do Tratado do Atlântico (NATO) elaboram um plano de contingência tomando como modelo as zonas de exclusão de vôos estabelecidas sobre os Balcãs na década de 1990, no caso de que a comunidade internacional decida impor um embargo aéreo sobre a Líbia, disseram diplomatas’”.

Qualquer Pessoa honesta capaz de observar com objetividade os acontecimentos, pode avaliar a perigosidade do conjunto de fatos cínicos e brutais que caracterizam a política dos Estados Unidos, e explicam a vergonhosa solidão desse país no debate das Nações Unidas sobre a “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba”.

A pesar do trabalho, acompanho de perto os Jogos Pan-americanos Guadalajara 2011.

Nosso país orgulha-se desses jovens que são exemplos para o mundo por seu desinteresse e espírito de solidariedade. Congratulo-os afetuosamente, já ninguém poderá lhes arrebatar o lugar de honra que ganharam.

Continuará no domingo, 30.

Fidel Castro Ruz
28 de outubro de 2011
19h14

Fonte: Cubadebate

Reflexões do companheiro Fidel: O papel genocida da NATO (partes I e II)

Parte I

Essa brutal aliança militar tornou-se o mais pérfido instrumento de repressão que seja conhecido na história da humanidade.

A NATO assumiu esse papel repressivo global logo depois do desaparecimento da URSS, que tinha servido como pretexto aos Estados Unidos para criá-la. O seu criminoso objetivo foi evidente na Sérvia, um país de origem eslava, cujo povo lutou tão corajosamente contra as tropas nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Quando no mês de março de 1999 os países dessa nefasta organização, nos seus esforços por desintegrar Iugoslávia, após a morte de Josip Broz Tito, enviaram as suas tropas para apoiar os secessionistas cossovares, encontraram uma forte resistência daquela nação cujas experimentadas forças estavam intactas.

A administração ianque, aconselhada pelo Governo espanhol de direita de José Maria Aznar atacou as emissoras de televisão da Sérvia, as pontes sobre o rio Danúbio e Belgrado, a capital desse país. A embaixada da República Popular da China foi destruída pelas bombas ianques, vários funcionários morreram e não podia existir um erro possível como alegaram os autores. Numerosos patriotas sérvios perderam a vida. O presidente Slobodan Miloševic, abrumado pelo poder dos agressores e pelo desaparecimento da URSS, cedeu às exigências da NATO e admitiu a presença das tropas dessa aliança dentro de Cossovo sob o mandato da ONU, o que finalmente levou à sua derrota política e a seu posterior julgamento pelos tribunais nada imparciais da Haia. Morreu de uma maneira estranha na cadeia. Se o líder sérvio tivesse resistido mais alguns dias, a NATO teria entrado em uma grave crise que esteve a ponto de estourar. Deste modo o império dispôs de ainda mais tempo para impor a sua hegemonia entre os cada vez mais subordinados membros dessa organização.

De 21 de fevereiro a 27 de abril do presente ano publiquei no site web Cubadebate nove Reflexões sobre o tema, nas quais abordei amplamente o papel da NATO na Líbia e o que, na minha opinião, iria acontecer.

Por isso, vejo-me obrigado a fazer uma síntese das idéias essenciais que eu expus e dos fatos que têm acontecido tal e como foram previstos, agora que um personagem central da história, Muammar Al-Gaddafi, foi gravemente ferido pelos mais modernos caça-bombardeiros da NATO que interceptaram e inutilizaram o seu veículo, capturado ainda vivo e assassinado pelos homens que essa organização militar armou.

O seu cadáver foi seqüestrado e exibido como um troféu de guerra, uma conduta que viola os mais elementares princípios das normas muçulmanas e outras crenças religiosas que existem no mundo. Anuncia-se que em breve tempo a Líbia será declarada “Estado democrático e defensor dos direitos humanos”.

Vejo-me obrigado a dedicar várias Reflexões sobre estes importantes e significativos fatos.
Continuará amanhã.

Fidel Castro Ruz
23 de outubro de 2011
18h10

Parte II

Há pouco mais de oito meses, em 21 de fevereiro do ano em curso, afirmei com plena convicção: “O plano da NATO é ocupar Líbia”. Sob esse título abordei por primeira vez o tema numa Reflexão cujo conteúdo parecia fruto da fantasia.

Incluo nestas linhas os elementos de juízo que me levaram a essa ilação.

“O petróleo se tornou na principal riqueza nas mãos das grandes transnacionais ianques; através dessa fonte de energia dispuseram de um instrumento que acrescentou consideravelmente seu poder político no mundo”.

“Sobre essa fonte de energia se desenvolveu a atual civilização. A Venezuela foi a nação deste hemisfério que pagou maior preço. Os Estados Unidos se tornaram donos dos enormes jazigos com que a natureza dotou esse país irmão.

“Ao findar a última Guerra Mundial começou a extrair dos jazigos do Irão, assim como dos da Arábia Saudita, do Iraque e dos países árabes situados ao redor deles, maiores quantidades de petróleo. Estes passaram a ser os principais fornecedores. O consumo mundial se elevou progressivamente à fabulosa cifra de aproximadamente 80 milhões de barris diários, incluídos os que se extraem no território dos Estados Unidos, aos que ulteriormente se adicionaram o gás, a energia hidráulica e a nuclear”.

“O esbanjamento do petróleo e do gás está ligado a uma das maiores tragédias, não resolvida em absoluto, que sofre a humanidade: a mudança climática.”

“Em dezembro de 1951, a Líbia se tornou no primeiro país africano em atingir sua independência depois da Segunda Guerra Mundial, na qual seu território foi cenário de importantes combates entre tropas alemãs e do Reino Unido…”

“Do seu território, 95 % é totalmente desértico. A tecnologia permitiu descobrir importantes jazigos de petróleo ligeiro de excelente qualidade que hoje atingem um milhão 800 mil barris diários e abundantes depósitos de gás natural. […] Seu rigoroso deserto está localizado sobre um enorme lago de água fóssil, equivalente a mais de três vezes a superfície de Cuba, o que lhe possibilitou construir uma ampla rede de condutoras de água doce que se estende por todo o país.”

“A Revolução Líbia aconteceu no mês de setembro do ano 1969. Seu principal dirigente foi Muammar Al- Khaddhafi militar de origem beduína, que em sua juventude mais precoce se inspirou nas idéias do líder egípcio Gamal Abdel Nasser. Sem dúvidas que muitas de suas decisões estão ligadas às mudanças que ocorreram quando, ao igual que no Egito, uma monarquia fraca e corrupta foi derrocada na Líbia.”

“Poder-se-á concordar ou não com o Khaddhafi. O mundo tem sido invadido com todo o tipo de notícias, empregando especialmente os meios maciços de informação. Haverá que esperar o tempo necessário para conhecer a rigor quanto tem de verdade ou de mentira, ou uma mistura de fatos de todo o tipo que, no meio do caos, aconteceram na Líbia. O que para mim resulta absolutamente evidente é que ao Governo dos Estados Unidos não lhe preocupa em absoluto a paz na Líbia, e não hesitará em dar à NATO a ordem de invadir esse rico país, talvez em questão de horas ou muito breves dias.

“Os que com pérfidas intenções inventaram a mentira de que Khaddhafi se dirigia à Venezuela, igual que o fizeram na tarde de ontem domingo 20 de fevereiro, receberam hoje uma digna resposta do Ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro…”

“Por minha parte, não imagino o dirigente líbio abandonando o país, eludindo as responsabilidades de que é imputado, forem ou não falsas em parte ou em sua totalidade.

“Uma pessoa honesta estará sempre contra qualquer injustiça que se cometa com qualquer povo do mundo, e a pior delas, neste instante, seria guardar silêncio perante o crime que a NATO se prepara para cometer contra o povo líbio.

“À chefia dessa organização belicista lhe urge fazê-lo. É preciso denunciá-lo!”

Nessa prematura data me tinha apercebido do que era absolutamente óbvio.

Amanhã terça-feira, 25 de outubro, falará nosso chanceler Bruno Rodríguez na sede das Nações Unidas para denunciar o bloqueio criminoso dos Estados Unidos contra Cuba. Acompanharemos de perto essa batalha que colocará em evidência mais uma vez a necessidade de pôr término, não apenas ao bloqueio, mas ao sistema que engendra a injustiça em nosso planeta, esbanja seus recursos naturais e coloca em risco a sobrevivência humana. Prestaremos atenção especial ao alegado de Cuba.

Prosseguirá na quarta-feira 26.

Fidel Castro Ruz
24 de outubro de 2011
17h19.

Fonte: Cubadebate

Reflexões do companheiro Fidel: AS DUAS VENEZUELA

Ontem falei sobre a Venezuela aliada do império onde Posada Carriles e Orlando Bosch organizaram a brutal explosão de um avião de Cubana em pleno vôo, que provocou a morte e o desaparecimento de todos seus passageiros, incluindo a equipe juvenil de esgrima que conquistou todas as medalhas de ouro no Campeonato Centro-americano e do Caribe que foi realizado naquele país, os quais, hoje durante a celebração dos Jogos Pan-americanos na cidade de Guadalajara são lembrados com tristeza.

Não era a Venezuela de Rómulo Gallegos e de Andrés Eloy Blanco, senão a do trânsfuga, traidor e peçonhoso Rômulo Betancourt, invejoso da Revolução Cubana, aliado do imperialismo, que tanto cooperou com as agressões contra a nossa Pátria. Depois de Miami, aquela propriedade petroleira dos Estados Unidos foi o principal centro da contra-revolução contra Cuba; perante a história cabe a ele uma parte importante da aventura imperialista em Girón, o bloqueio econômico e os crimes contra o nosso povo. Assim iniciou-se a era tenebrosa, que findou no dia em que Hugo Chávez jurou o cargo sobre a “moribunda constituição” que tinha em suas mãos trêmulas o ex-presidente Rafael Caldera.

Tinham passado 40 anos desde o triunfo da Revolução Cubana e mais de um século de saqueio ianque do petróleo, das riquezas naturais e do suor dos venezuelanos.

Muitos deles morreram na ignorância e na miséria imposta pelas canhoneiras dos Estados Unidos e da Europa!

Felizmente existe a outra Venezuela, a Venezuela de Bolívar e Miranda, a de Sucre e uma legião de chefes e pensadores brilhantes que foram capazes de conceber a grande pátria latino-americana da qual nos sentimos parte e pela qual temos resistido mais de meio século de agressões e de bloqueios.

“…impedir a tempo, com a independência de Cuba, que os Estados Unidos se estendam pelas Antilhas e cáiam, com essa força mais, sobre as nossas terras de América. Quanto fiz até hoje, e farei, é para isso”, expressou o Apóstolo de nossa independência, José Martí na véspera de sua morte em combate.

Nestes dias encontra-se entre nós Hugo Chávez, como quem visita um pedaço da grande pátria latino-americana e caribenha, concebida por Simon Bolívar; ele compreende melhor do que ninguém o princípio martiano de que “… aquilo que ele não deixou feito, hoje está por fazer: porque Bolívar ainda tem coisas a  fazer na América.”

Ontem e hoje conversei longamente com ele. Expliquei-lhe o afã com que dedico as energias que ainda tenho aos sonhos de um mundo melhor e mais justo.

Não é difícil compartilhar sonhos com o líder bolivariano quando o império mostra já os sintomas inequívocos de uma doença terminal.

Salvar a humanidade de um desastre irreversível é algo que hoje pode depender simplesmente da estupidez de qualquer presidente medíocre daqueles que nas décadas mais recentes dirigiram esse império e incluso de algum dos cada vez mais poderosos chefes do complexo militar industrial que rege os destinos desse país.

Nações amigas de crescente peso na economia mundial por seus avanços econômicos e tecnológicos e por sua condição de membros permanentes do Conselho de Segurança como a República Popular da China e a Federação Russa, junto dos povos do chamado Terceiro Mundo, em Ásia, África e na América Latina, poderiam alcançar esse objetivo.  Os povos das nações desenvolvidas e ricas, cada vez mais saqueados por suas próprias oligarquias financeiras, começam a desempenhar o seu papel nessa batalha pela sobrevivência humana.

Entretanto, o povo bolivariano da Venezuela organiza-se e une-se para enfrentar e derrotar a nauseabunda oligarquia a serviço do império que pretende assumir novamente o governo desse país.

A Venezuela, devido a seu extraordinário desenvolvimento educacional, cultural, social, e seus imensos recursos energéticos e naturais, deverá ser um modelo revolucionário para o mundo.

Chávez, que surgiu das fileiras do Exército Venezuelano, é metódico e incansável. Eu o tenho observado durante 17 anos desde a sua primeira visita a Cuba. Trata-se de uma pessoa extremamente humanitária e respeitosa da Lei; nunca tomou vingança contra alguém. Os setores mais humildes e esquecidos de seu país lhe agradecem profundamente que pela primeira vez na história haja uma resposta a seus sonhos de justiça social.

Eu lhe disse: “Hugo vejo com clareza que a Revolução Bolivariana em um tempo muito breve pode criar empregos, não apenas para os venezuelanos senão também para seus irmãos colombianos, um povo trabalhador, que junto a vocês lutou pela independência de América, 40% do qual vive na pobreza e uma parte importante na extrema pobreza.”

Sobre estes e outros muitos temas tive a honra de conversar com o nosso ilustre visitante, símbolo da outra Venezuela.
Fidel Castro Ruz
18 de outubro de 2011
22h15

Fonte: Cubadebate